Oficina de Segurança Digital em Belo Horizonte

Atualmente a tecnologia permeia nossas vidas: temos smartphones em nossos bolsos, smartTVs em nossas salas, câmeras de vigilância por toda a cidade, reconhecimento facial no transporte público, e redes sociais para nos conectar a isso tudo. Mais do que isso, a tecnologia media boa parte das nossas interações: nossas amizades, nossas conversas, nossos eventos, nosso consumo e até mesmo nosso ativismo.

Todos os nossos dados estão expostos e sendo filtrados por métodos de vigilância de arrasto. Quando nos engajamos na luta para promover uma mudança social, nossos dados estão ainda mais em risco. É imprescindivel que tenhamos noções básicas de autodefesa digital e retomemos o poder de escolher o que queremos compartilhar e com quem.

Os coletivos Coisa Preta e mar1sc0tron promovem uma Oficina de Segurança Digital para Ativistas na Infoshop A Gata Preta, no sábado, 15 de julho, em Belo Horizonte. Vamos falar um pouco sobre a estrutura básica da comunicação pela internet, cultura de segurança, segurança da informação e ferramentas de autodefesa digital.

A Gata Preta fica no Edificio Maletta, na Rua da Bahia, 1148 sobreloja 35, Centro – Belo Horizonte.
A oficina inicia às 16h.
Traga seu computador e celular para instalarmos algumas das ferramentas que vamos estar apresentando.
A atividade é gratuita, mas haverá uma caixinha de colaborações espontâneas para cobrirmos os custos do evento.

A Feira Anarquista agora é todo mês!

Dia 03 de junho aconteceu em Porto Alegre a primeira Feira Anarquista. Um espaço de encontro, de troca, de construção que reuniu dezenas de pessoas ao longo do dia.

As pessoas que participaram nesse dia decidiram fazer da Feira Anarquista um evento espontâneo mensal, marcado para acontecer todo primeiro sábado de cada mês, das 14h às 20h na Praça do Tambor (ao lado do Museu do Trabalho), onde cada pessoa e coletivos são convidados a construir junto, seja levando comida ou bebida para um piquenique coletivo ou levando sua banca, propondo um bate-papo ou outro tipo de atividade.

A próxima edição da Feira Anarquista será portanto no próximo sábado, dia 1º de julho. Apareça!

Oficina de Segurança Digital Para Ativistas

O Coletivo Coisa Preta e o Núcleo Amigos da Terra promovem uma Oficina de Segurança Digital para Ativistas no domingo, 11 de junho, em Porto Alegre. A oficina busca fornecer informações e ferramentas para que ativistas possam analisar os riscos que correm e formas de tornar a sua comunicação digital mais segura.

O evento acontecerá na CasaNAT (Rua Olavo Bilac, 192 – Bairro Azenha) das 10h às 20h. Haverá almoço e lanche da tarde. A atividade é gratuita, mas haverá uma caixinha de colaborações espontâneas para cobrirmos os custos do evento.

Recomendamos para todas as pessos que querem se proteger da vigilância e da repressão que usem um sistema operacional livre e de código aberto. Por isso nos últimos momentos do evento vamos estar disponíveis para ajudar aquelas pessoas que tiverem interesse a trocar o Windows por Linux. Se você tiver interesse, leve seu computador e faça uma cópia de segurança (backup) dos seus dados.

Não é necessário realizar inscrição. MAS SOLICITAMOS QUE CONFIRME PRESENÇA PELO E-MAIL COISAPRETA@BASTARDI.NET PARA SABERMOS QUANTAS PESSOAS ESPERAR. Traga sua caneca e prato!

Feira Anarquista, sábado 03 de junho

Porto Alegre, RS, Territórios Ocupados Pelo Estado Brasileiro

Sábado, 03 de junho, das 12h às 20 na Praça do Tambor, no Centro de Porto Alegre.

Uma ruptura em nossas rotinas de isolamento e depressão. Um caldeirão de ideias para a libertação de todas as pessoas (humanas ou não). Um local de inspiração. Um ponto de conspiração. Um espaço para respirar. Um piquenique com a galera. Uma tarde comendo bergamota no sol. Uma tomada para recarregar baterias rebeldes.

No sábado dia 03 de junho vai acontecer a estréia da Feira Anarquista em Porto Alegre. A ideia é construir um espaço regular de encontro, de confraternização, de dádiva e troca entre anarquistas e simpatizantes. Todas pessoas e coletivos são bem-vindas para trazerem coisas que sabem, que produzem, ou recursos que possuem para compartilhar.

Você produz zines, cartazes ou outros materiais para divulgar os ideais libertários? Ou produz comida artesanalmente em sua cozinha para sustentar a sua luta contra o sistema? Você coleta frutas pela cidade e quer compartilhá-las? Traga sua banca!

Você tem certezas ou questionamentos que quer debater? Você sabe fazer algo que outras pessoas podem querer aprender? Organize uma oficina ou roda de conversa!

Você toca ou canta? Declama ou pinta? Atua ou dança? Venha mostrar sua cara!

Cronograma:

  • 10h30 – Assembleia – roda de conversa para alinhar a feira, onde expositoras, artistas, oficineiras e criminosos políticos se reúnem para se (re)conhecerem e decidir assuntos pertinentes ao funcionamento da feira.
  • 12h – Almoço coletivo – um panelão de comida pra encher a barriga de todxs, que conta com a sua generosidade para que ninguém saia no prejuízo. Hora de comer e confraternizar!
  • 12h – Montagem e início da feira! – Cada pessoa fazendo o que faz melhor e o resultado vamos descobrir juntas!

https://feiraanarquista.neocities.org/

3º Piquenique & Anarquia – 06 de maio

Mais um Piquenique & Anarquia vai acontecer no sábado, 06 de maio, às 15h na Praça do Tambor, ao lado do Museu do Trabalho.

Venha conversar sobre anarquismo e compartilhar comida, bebidas e idéias.

Como no último piquenique (confira relato aqui) decidimos organizar uma Feira Anarquista para o dia 03 de junho, no próximo conversaremos também um pouco mais sobre a organização deste evento.

Nativas Feministas Comem Tofu

Coisa Preta disponibiliza aqui este texto de Margaret Robinson que traz uma releitura ecofeminista e póscolonial das lendas Mi’kmaq como base para um veganismo indígena. Confira o texto abaixo ou baixe a versão em PDF.

Nativas Feministas Comem Tofu

Margaret Robinson

Nativas Feministas Comem Tofu
Margaret Robinson

Este texto propõe uma leitura ecofeminista pós-colonial das lendas Mi’kmaq como base para uma dieta vegana enraizada na cultura indígena¹. Tal projeto se depara com duas barreiras significativas. A primeira é a associação entre veganismo e branquitude.

Drew Hayden Taylor descreveu se abster de carne como uma prática de pessoas brancas (Taylor 2000a, 2000b). Em uma piada no começo de seu documentário, Redskins, Tricksters and Puppy Stew, ele faz a pergunta: “Como você chama um Nativo vegetariano? Um caçador muito ruim.” O ecologista Robert Hunter (1999) descreve as pessoas veganas como “eco-jesuítas” e “fundamentalistas vegetarianas”, que “forçam indígenas a fazer coisas do modo do homem branco” (p. 100-113). Ao projetar o imperialismo branco nas pessoas veganas Hunter legitima as onívoras brancas a se conectarem com as Nativas através do hábito de comer carne. Em Stuff White People Like, o autor satírico Christian Lander (2008) retrata o veganismo como uma tática para manter a supremacia branca. Ele escreve: “Como com muitas atividades das pessoas brancas, ser vegana/vegetariana permite com que elas sintam como se estivessem ajudando o meio ambiente e lhes dá uma forma meiga de sentirem superiores às outras” (p. 38).

Quando o veganismo é construído como uma coisa das pessoas brancas, aquelas pessoas das Primeiras Nações que escolhem uma dieta sem carne são retratadas como se estivessem sacrificando sua autenticidade cultural. Isso apresenta um desafio para aquelas de nós que vêem nossas dietas veganas como compatíveis cultural, espiritual e eticamente com nossas tradições indígenas.

Continue reading “Nativas Feministas Comem Tofu”

Relato: 2º Piquenique & Anarquia

A segunda edição do Piquenique & Anarquia, chamado pelo coletivo Coisa Preta, aconteceu no sábado, 8 de abril de 2017. Cerca de 20 pessoas compareceram, debatendo e conversando por horas a fio sobre os desafios de romper com o capitalismo e o Estado, o desafio de lidar com as novas tecnologias sem ser usado por elas, e de como não ficar teorizando e tentar colocar as ideias anarquistas em prática, tomando ações que potencializem a liberdade.

Dentro desse contexto foi proposta a realização de uma Feira Anarquista em Porto Alegre, para fortalecer os ideais e as redes anarquistas, difundir informações, compartilhar conhecimentos e recursos e servir de ponto de encontro e confraternização para anarquistas e simpatizantes. Os diversos coletivos e indivíduos presentes no piquenique irão procurar organizar e divulgar a feira de forma orgânica nas suas redes sociais e com os seus recursos.

Retomada Mbyá-Guarani – Relato da Reunião de Apoiadores

Depois de três dias e noites reunindo-se e conversando entre si, os Mbyá-Guarani de Maquiné chamaram para uma reunião as pessoas e organizações que apoiam a Retomada Guarani. Essa reunião aconteceu no domingo, 02 de abril, na nova aldeia Mbyá-Guarani de Maquiné (ainda sem nome), na área que antes era usada pela FEPAGRO – Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária, extinta pelas políticas de austeridade do governador José Ivo Sartori.

“Ninguém é sem ninguém.” – Cacique André dos Mbyá-Guarani de Maquiné.

Os caciques André, de Maquiné, e Cirilo, da Lomba do Pinheiro e representante dos Guarani de todo Rio Grande do Sul, demonstraram imensa alegria e esperança pela construção dessa nova aldeia em uma terra tão rica e fértil. Ao contrário das terras geralmente demarcadas pelo Estado – improdutivas, tomadas por monoculturas de soja e eucalipto, inadequadas para o modo de vida tradicional dos Guarani – a terra retomada para a construção da nova aldeia é coberta de mata nativa, árvores frutíferas e nascentes de água potável cristalina. Eles deixaram clara a intenção de resistir e lutar pela terra, indiferente do que o homem-branco e suas instituições decidirem.

Depois de breves falas dos dois caciques, abriu-se um espaço para que as apoiadoras e apoiadores se apresentassem. Apresentaram-se representantes e integrantes da Ação Nascente Maquiné (ANAMA), Associação de Estudos e Projetos com Povos Indígenas e Minoritários (AEPIM), Amigos da Terra Brasil, Jornal Já, diversos professores e estudantes dos cursos de antropologia e geografia da UFRGS, partidários do Movimento Raiz, fiéis de uma igreja (não identificada), além de várias anarquistas e moradoras de Maquiné que apóiam a retomada Guarani.

 “Não precisamos subir degraus pra ter poder, pra falar. Na nossa cultura qualquer criança pequena tem esse poder.” – Cacique Cirilo

Houveram algumas intervenções que informaram o andamento dos processos jurídicos. Sobre a liminar que pede a “reintegração de posse”, que retiraria a terra dos indígenas e as recolocaria nas mãos do Estado: um juiz de 2ª instância deveria se manifestar na terça-feira, 04 de abril. Mesmo no caso de o juiz ordenar a reintegração de posse, ela não deverá ser imediata, pois a Brigada Militar não pode interferir com os povos indígenas sem a presença da FUNAI e da Polícia Federal. Os apoiadores dos mbyá-guarani que estão acompanhando a questão legal apresentaram um certo otimismo.

Outra informação relevante é que um antropólogo da FUNAI iria comparecer a aldeia na segunda-feira, 03 de abril, para começar a levantar dados sobre a retomada.

“Por quê não nos dão uma terra boa para criar galinha, pra plantar batata-doce, pra não dependermos do Estado? É uma forma que o Estado cria pra nos dominar.” – Cacique Cirilo

Depois das conversas no turno da manhã, foi servido um almoço. À tarde os caciques retomaram a conversa, pedindo para os militantes do Movimento Raiz explicarem o que é esse movimento. Seguiu-se então um mini-comício do partido por cerca de 20 minutos, explicando os seus conceitos e suas aspirações. O discurso foi tão sedutor que o próprio Cacique Cirilo, ao fim, falou que já que os guarani estão recebendo apoio do Raiz ele não via por quê eles também não poderiam apoiar o movimento. Não ficou claro se o Cacique compreendeu que está lidando com um partido político, que está em processo de coleta de assinaturas para sua regularização para assim concorrer a cargos no governo.

Em seguida falou-se do levantamento de verbas para realizar dois encontros do povo guarani que eles consideram muito importantes para fortalecer a retomada. Aparentemente, o Raiz tinha ficado responsável por esta campanha, divulgando contas bancárias para que apoiadores fizessem essas doações. Parece que não chegaram nem perto do valor necessário – entretanto não se mencionaram valores, nem o quanto é necessário, nem o quanto foi arrecadado. Militantes do partido falaram então em realizar um projeto para conseguir verba através da Igreja Luterana. Nesse momento o Cacique André demonstrou sua frustração, explicando que não entende por que o branco faz tanto projeto e projeto e nunca faz as coisas de fato.

“As burocracias existem pra que a gente não consiga fazer nada.” – Cacique Cirilo

Aparentemente, o que os guarani precisam para realizar os encontros são muitas taquaras para construir o telhado de 20 casas, transporte para essas taquaras e para os guarani de outras aldeias possam ir ao encontro e alimentação para o encontro.

“O juruá (homem-branco) adora fazer reunião. É reunião o tempo todo. Eu não agüento mais reunião. Daqui a pouco vou ficar branco de tanta reunião.” – Cacique Cirilo

Conclusões

Os mbyá-guarani demonstram ter uma visão autonomista, compatível com os valores anarquistas (como dá pra perceber pela citações dos caciques ao longo deste texto). Eles estão recebendo bastante apoio na área jurídica e inclusive com doações de alimentos. Entretanto parece que em alguns aspectos o apoio à retomada encontra-se preso nas burocracias das instituições que os apóiam.

Embora anarquistas e outros apoiadores autônomos tenham tido um papel importante na solidariedade com a Retomada Guarani, com produção audiovisual, transporte, organização de campanhas independentes de arrecadação de doações, ficamos com a impressão que eles são meio que deixado de lado pelas instituições, das quais não percebemos nenhum esforço com o compartilhamento de informações e criação de uma ampla rede de comunicação e articulação para os apoiadores da Retomada. Por exemplo, falou-se de em caso de “reintegração de posse” pelo Estado, que todos fossem à aldeia prestar sua solidariedade com os guarani, mas não se falou de como se fará a comunicação para a difusão dessas informações para que um número significativo de apoiadores consiga comparecer de fato à aldeia. Quando perguntamos sobre a existência de algum canal de comunicação entre os apoiadores, as instituições foram reticentes e evasivas.
Também tememos que com a presença de partidos políticos, os mbyá-guarani possam ser usados e influenciados a apoiarem essas causas, que lhes são vendidas com as mais doces palavras.

Por essas duas razões – a falta de uma rede autônoma de apoio e solidariedade à Retomada Guarani, que faz com que muitos apoiadores não saibam como ajudar e se somar, e a presença de partidos políticos – achamos importante uma participação anarquista mais articulada e organizada.Sentimos que uma rede verdadeiramente autônoma é capaz de difundir as necessidades da Aldeia e engajar mais pessoas a se somar em solidariedade e defesa à essa retomada. Deixamos o convite para que entre em contato pelo nosso e-mail para construir essa articulação.

“Ninguém manda no Guarani. Ele que sabe como viver e onde viver. Somos livres pra ir onde quisermos. Os brancos não entendem isso.” – Cacique André


ATUALIZAÇÃO: o governo do RS pediu a suspensão da reintegração de posse por 30 dias para tentar negociar com os Guarani. Mais informações aqui.


Flores do Mal

Um relato sobre a Biblioteca Kaos, a família Chaves Barcellos Wallig e a gentrificação de Porto Alegre.

Recentemente, a Biblioteca Anárquica Kaos ocupou uma casa abandonada há décadas no Centro Histórico de Porto Alegre. O imóvel, assim como um conjunto de imóveis que o cercam, pertence a uma das famílias mais ricas e tradicionais da capital os Chaves Barcellos / Wallig¹. Embora as construções sejam tombadas, seus proprietários planejam demolí-la para ali fazerem novos empreendimentos. Isso explica o abandono dos imóveis, pois como é proibido demolí-los, seus donos simplesmente os abandonam até que caiam pela ação do tempo.

O pai, João Wallig Filho, pretende construir ali um edifício garagem, enquanto seu filho, o arquiteto João Felipe Chaves Barcelos Wallig quer fazer um complexo de contâineres, com restaurantes vegetarianos, feira orgânica e outras coisas destinadas ao público jovem. Nenhum dos projetos pretende preservar as construções históricas.

Motores da Gentrificação

Os Chaves Barcellos Wallig possuem um papel ativo na gentrificação em Porto Alegre: são os responsáveis pelo Vila Flores, projeto que transformou um conjunto arquitetônico no bairro Floresta, largado pelos seus proprietários à décadas, em um pólo da assim chamada “economia criativa”. Em um texto de sua própria autoria no site Arq.Futuro, João Felipe fala sobre como “os moradores decidiram sair voluntariamente”. A história não foi bem assim segundo seu próprio pai, João Wallig.

Vila Flores: pólo de gentrificação no bairro Floresta.

Quando coletivo Cidade da Bicicleta perdeu seu espaço no Menino Deus e João ofereceu para ele um espaço no Vila Flores, ele lhes disse que sim, alguns moradores saíram voluntariamente, mas também relatou que no final teve que conseguir uma interdição do prédio, para forçar a saída de pessoas que se recusavam a abandonar o local onde viviam. Remover os moradores originais de um prédio, para substituí-los por jovens artistas, ateliers e outros profissionais “criativos” com o intuito de “revitalizar” uma região é claramente um processo de gentrificação, por mais que os Wallig já tenham um discurso pronto para se defender destas acusações.

Um dos próximos alvo deles são essas construções no Centro Histórico.

A Biblioteca Kaos

Cartaz de divulgação da inauguração do novo espaço da Biblioteca Kaos.

A Biblioteca Kaos é uma biblioteca anarquista que antes ocupava uma casa na Rua Alberto Torres, no bairro Cidade Baixa, mas que foi desalojada em 2016. Ela possui um catálogo de publicações para consulta e empréstimo, mas também edita suas próprias publicações, organiza e promove eventos, como debates, e inclusive foi sede para a 6ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre.

Em seu site foi publicada uma nota sobre a nova sede e os confrontos com os Chaves Barcellos Wallig:

O domingo 12 de março entramos na casa da Rua Coronel João Manoel 641, antes o morro da formiga. Casa que estava abandonada faz três anos, no meio do centro histórico de Porto Alegre, e que é parte das heranças de duas das famílias mais burguesas, donos da cidade faz séculos: Chaves Barcellos e Wallig.

Temos a absoluta certeza de que estamos incomodando os poderosos que já apareceram para nos ameaçar e muito risivelmente para nos convidar a ser parte dos seus projetos de capitalismo alternativo. Nossa resposta é uma só: somos ocupas, anarquistas, e com a burguesia não temos conversa nenhuma.

Para nossa surpresa e alegria, a vizinhança apoia totalmente a ocupação porque vieram que poucas pessoas arrumaram um espaço que faz anos estava sem uso. A interação com eles foi uma clara atitude de solidariedade e iniciativa não só nas palavras mas sobretudo na ação, participando pouco a pouco da limpeza do lugar e apoiando com sua presença em algumas das visitas dos donos.

Depois das ameaças dos Burgueses de nos jogar pra fora com seus capangas e pitbulls, as galera das outras okupas da cidade chegaram para nos fazer sentir sua solidariedade e ajuda.

Neste momento ainda estamos na briga pelo espaço mas nossa decisão desde o início é permanecer sem negociação, nem jurídica nem verbal com os proprietários. A ocupação é uma pratica subversiva que não pode ser engolida pelas normas de propriedade imobiliária, é a resposta efetivas à acumulação absurda da terra em mão de uns poucos privilegiados. Nossa determinação diante disto é clara: casa abandonada, casa ocupada.

Desde um novo espaço, aqui seguimos onde sempre estivemos: na procura da liberdade e contra toda autoridade!

Biblioteca Anárquica Kaos.

Daqui pra frente

Como a própria nota da Kaos relatou, uma das primeiras tentativas de “negociação” dos Wallig foi tentar cooptar a biblioteca, prometendo-lhe um espaço dentro de seu futuro empreendimento. Quando sua proposta não foi aceita, partiram para ameaças, que foram desde voltar lá com cães bravos para arrancá-los à força ou conseguir uma condenação da estrutura do prédio junto à Defesa Civil para uma desocupação forçada. É a mesma estratégia de gentrificação já usada no complexo Vila Flores. Se puderem convidar pessoas jovens e descoladas para ocuparem inicialmente o novo empreendimento, garantindo-lhe uma imagem de espaço diverso e plural para atrair o público jovem e assim “revitalizar” o espaço, ou seja, aumentar o valor de seu empreendimento, ótimo, senão eles farão com que as pessoas sejam removidas de lá à força.

Aparentemente, os Wallig ainda não deram entrada num processo judicial de reintegração de posse. Talvez não o tenham feito por receio de que, com isso, venham à tona seus planos ilegais de demolir prédios históricos para criação de novos empreendimentos.

Se a ideia fosse mesmo “revitalizar” a região, ou “dar um presente” à cidade, por quê estão deixando os prédios desocupados, caindo, há tanto tempo? Por que não, por exemplo, transformá-los em moradias populares? Ou doá-los à cidade para a criação de albergues para a população de rua? Com certeza os Chaves Barcellos Wallig não deixariam de ser ricos com isso.

Eles querem usar nossos sonhos para encher ainda mais os seus bolsos, já abarrotados. Não deixaremos!

Toda solidariedade à Biblioteca Anárquica Kaos! Abaixo a gentrificação!


  1. Seu antepassado, João Wallig, foi um dos fundadores da Taurus, maior fábrica de armas do Brasil. Do outro lado da família estão os Chaves Barcellos já eram capitalistas pelos menos desde o início do século 20 – já foram proprietários de lanifícios, moinhos, hotéis e fazendas em Guaíba, Alegrete e Uruguaiana.
  2. arqfuturo.com.br/frontend/home/post/1231

 

CineDebate: Ser e Vir a Ser

E se fizéssemos a escolha de não escolarizar nossos filhos?

Dia 09 de abril, no CineDebate passaremos o documentário Ser e Vir a Ser, sobre o movimento de desecolarização, para em seguida fazermos uma roda de conversa e debatermos o assunto.

Esta edição do CineDebate acontecerá no dia 09 de abril, às 16h, no Bonobo. Terá comidinhas veganas.

Esperamos vocês!